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Mostrando postagens de Outubro, 2008

Despedida

"Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão

(...)

Que procuras? - Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão."

(Cecília Meireles)

Incertas certezas

Sempre ouvi minha mãe contar que, quando criança, eu pedia opinião para fazer o contrário do que me diziam. Se a dúvida fosse colocar a roupa amarela ou azul e a sugestão indicasse a azul, eu terminava escolhendo a amarela. Dizem por aí que cresci decidida a levar minhas indecisões sempre na direção oposta a das opiniões alheias. Talvez... A memória da infância não guardou impressão precisa sobre o assunto, mas, imprecisa como as dúvidas de criança, acho esta uma leitura limitada. Na contramão do que dizem, não sou tão do contra assim!

Desconfio que quando perguntava, queria apenas confirmar o que já desconfiava, o que já achava, o que já sabia e, principalmente, o que queria. E eu sabia o que queria, porque, mesmo sem a validação alheia, mantinha a minha opinião e também a mania de perguntar. O que você acha? Eu acho que colocava, e ainda coloco, o disfarce da dúvida nas minhas incertas certezas. Fazer o quê, se elas estão sempre em posição oposta ao senso comum?

Estavam. No passado.…
Não sei para onde vou, não sei se bom ou ruim o que virá, mas sei que vou. Vou, mas não queria ir sem você. Queria que não me deixasse ir sem você, mas vou. Sem você, vou com a vontade de ficar que é somente minha. Levo histórias nossas que não vão acontecer em páginas em branco do que poderia ser. Poderia ser com você o que ainda não sei como vai ser. Vai ser e vou, mesmo sem você, levar você.

Entendimentos e sentimentos

O improvável que parecia quase impossível aconteceu. Não tenho vergonha, tão pouco orgulho, de dizer que Economia sempre foi, para mim, algo quase incompreensível. Sou de uma geração que cresceu sem saber o que significava, na prática, estabilidade econômica. Acompanhei muitas e variadas crises e assisti explicações ministeriais que não explicavam muito. Vi e vivi pacotes e infinitas mudanças no nome de uma mesma e desvalorizada moeda. Mas nunca consegui compreender essa coisa complexa chamada economia. Até que o improvável que parecia quase impossível aconteceu.

Em meio à crise no mercado financeiro americano – também sou de uma época em que crises econômicas na superpotência eram apenas parte de um capítulo nos livros de História – tive que assistir a um debate entre economistas e, surpresa, tudo que lia nas páginas dos jornais passou a fazer sentido. Escrevi sobre o assunto e não escrevo aqui de novo, porque neste espaço, crises só de outros gêneros. Talvez mais humanas e complexas…