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Mostrando postagens de Novembro, 2008

Hoje

Hoje, só hoje, sou triste. Debruçada no ontem, choro hoje por você. Você, que não consigo ver no amanhã, me traz hoje a saudade do que vivi e a nostalgia do que não vou viver. Da minha tristeza caem lágrimas de hoje porque hoje, só hoje, sou triste. Triste pelo ontem sem hoje. Triste por mim sem você amanhã. Amanhã... Mas hoje, só hoje, sou triste.

22 de novembro

Desejo a você o tradicional pacote/padrão de aniversário: saúde, paz, amor, felicidade... Mas desejo mais.

Lembranças, memórias e histórias. Para viver, lembrar e contar. Para inventar e reinventar. Passado e futuro. Presente. Presentes. Presença. Amizade, cumplicidade, companheirismo. Cerveja gelada e muitos brindes. Saúde! Céu estrelado e noites de reveillon. Começos e recomeços. Coragem e força. Proteção e intuição. Fé. Crenças e descrenças. Certezas e incertezas. Idéias e opiniões. Para manter e para mudar. Saudade para matar, paixões para viver, amor para se entregar. Intensidade e cumplicidade. Romance. Prazer. Cores e sabores. Aromas e sensações. Imagens. Experiências vividas e por viver. Experiência e inocência. Trabalho. Desafios e vitórias. Conquistas e realizações. Sucesso. Viagens, descobertas, novidades. O novo sempre de novo. Esperança. Sonhos. Poesia.

Como escreveu Drummond: "... muito carinho meu. Desejo... Desejos". Feliz aniversário!

Na plataforma

Impossível e desnecessário precisar se era a tarde de uma terça ou a manhã quarta. Pode ter sido semana passada, pode ter sido no próximo mês. O quando não importa naqueles momentos em que o tempo, suspenso, parece ter se convertido em mero observador de um acontecimento que não é mais que um acontecimento. O cotidiano e o banal que, por instantes de duração imprecisa, revelam a aura de importância que os olhos de ninguém podem ver, mas que a sensibilidade de alguns pode perceber.

Diante dos vagões parados do metrô a menina de vestido azul seguia imóvel por memórias que não eram somente suas. Sua introspecção era a imagem daqueles que, do banco de madeira no centro de uma plataforma vazia, deixam a vida passar. Mas a vida estava nela, naquele insignificante instante e também em todos os outros. A vida estava em cada segundo de todas as tardes de terça e de todas as manhãs de quarta. Estava ali, nos dias que já foram e nos que ainda não vieram.

Mergulho no mar

Nos ciclos que formam a vida, histórias começam e terminam. Algumas bem, outras nem tanto, mas sempre deixam espaço para novidades. A vida, segundo a filosofia que poderia ser classificada como de botequim se não tivesse sido pensada na praia. Com a relação quase mística que todo carioca tem com o mar, ela colocou o pé na areia e deu um mergulho – não custa tentar – para atrair as tais novidades.

Sugestionada ou renovada saiu do mar e da praia com passos leves. Caminhando devagar para não deixar o novo passar sem ser visto, nem desconfiou que pudesse ser ela a novidade. Parada na esquina esperando o sinal fechar, alguém a chamou. Mas não era o alguém que esperava que meu mergulho no mar pudesse atrair. A distância entre estes dois alguéns era do tamanho de um oceano!

Não sabia se ria ou se corria da figura gordinha de short apertado, tênis e meia esticada, que perguntava: “você vem sempre à praia aqui?”. Não! Qual parte do mergulho pode ter dado errado? Será que o mar estava em condiç…
"E eu deliro... De repente pauso no que penso... Fito-te
E o teu silêncio é uma cegueira minha... Fito-te e sonho...
Há coisas rubras e cobras no modo como medito-te,
E a tua idéia sabe à lembrança de um sabor de medonho...

Para que não ter por ti desprezo? Por que não perdê-lo?...
Ah, deixa que eu te ignore... O teu silêncio é um leque -
Um leque fechado, um leque que aberto seria tão belo, tão belo"

(Fernando Pessoa)