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Na plataforma

Impossível e desnecessário precisar se era a tarde de uma terça ou a manhã quarta. Pode ter sido semana passada, pode ter sido no próximo mês. O quando não importa naqueles momentos em que o tempo, suspenso, parece ter se convertido em mero observador de um acontecimento que não é mais que um acontecimento. O cotidiano e o banal que, por instantes de duração imprecisa, revelam a aura de importância que os olhos de ninguém podem ver, mas que a sensibilidade de alguns pode perceber.

Diante dos vagões parados do metrô a menina de vestido azul seguia imóvel por memórias que não eram somente suas. Sua introspecção era a imagem daqueles que, do banco de madeira no centro de uma plataforma vazia, deixam a vida passar. Mas a vida estava nela, naquele insignificante instante e também em todos os outros. A vida estava em cada segundo de todas as tardes de terça e de todas as manhãs de quarta. Estava ali, nos dias que já foram e nos que ainda não vieram.

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