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Em busca de uma idéia adormecida

Há muito tempo repito para mim mesma que devo dormir com um caderno ou um gravador ao lado da cama. O objetivo não é, embora pudesse ser também, seguir o que dizia Jung, e registrar os sonhos. Trata-se de ter como guardar as idéias que surgem naqueles momentos de semiconsciência que precedem o sono ou dividem os sonhos. Idéias sempre boas, as melhores, perdidas antes do total despertar.

Como repito mas não faço, tenho passado as últimas semanas em busca de uma idéia que, sei e isto é apenas o que sei, seria o ponto de partida de um excelente texto. Assunto, tema, tom... Já tentei associar a ela sentimentos ou pessoas, lembrar algo dela capaz de estimular minha memória. Mas minha memória parece que não acordou junto comigo. Recordo de tê-la organizado em duas ou três frases inspiradas, também perdidas no meio de uma madrugada de insônia parcial.

Recordo, e isso é o mais cruel, de ter pensado em escrevê-la no caderno branco de todas as minhas variedades. Tivesse escrito... Mas sucumbi à preguiça e ao sono, acreditando demasiadamente na minha imprevisível memória. Tão imprevisível, que a recordação da construção de duas ou três frases brilhantes – a dificuldade torna o objeto do desejo ainda mais especial – veio alguns dias depois, quando eu iniciava uma disputa com a minha própria criatividade.

Diante da tela branca pressenti a presença de tal boa idéia. Ela se dissipou e eu agora, como os cronistas que sempre terminam escrevendo sobre a não crônica, falo da ausência dela. Talvez não a reconheça se a encontrar de novo em algum produtivo estado de semiconsciência, mas, a partir de agora, prometo registrar todas. Já cumprir a promessa... Sobre isso prefiro não dizer nada.

Comentários

Mari disse…
Querida, bom mesmo era ter uma conexão (USB, é claro) entre a nossa cabeça e o papel, ou o gravador, ou qualquer que seja o suporte onde queremos colocar nossas idéias. Aí, elas não se perderiam nunca mais! Já pensou que fantástico? Beijos!