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Gente

Há um tempo, quase um longo tempo, trabalhei por um tempo, também quase longo, em uma revista de negócios. Escrevia sobre produtos para empresários que, por detrás de suas gravatas, reais ou figuradas, eram quase produtos. Negócios. Coisas. Escrevia sobre temas concretos demais para se aproximarem de mim. Tive, então, naquele tempo que já faz tempo, a idéia de uma seção que falasse de... Gente.

Minha sugestão, aceita pela editora da revista, era afastar um pouco as gravatas e como quem olha por uma fresta da porta, ver as pessoas por além dos empresários. Os seriam as pessoas antes dos empresários? De uma forma ou de outra, encontrei. Pessoas muito bem sucedidas na função de... Pessoas. Histórias interessantes que renderam, durante alguns anos, pelo menos uma página por mês com um título óbvio: Gente.

Pois estes anos passaram e o tempo que veio depois me trouxe, por outros caminhos, até aqui. No trabalho de agora o que não faltam são histórias de gente. Pessoas que, se usam, não se escondem por trás de nada semelhante às gravatas dos executivos de outrora. Ah, quantas boas e inspiradoras histórias... Poderiam ser grafadas História como aquela que também está presente no meu trabalho. Mas, com trocadilho mesmo, esta é outra história.

Voltando às histórias de pessoas que não sou eu, esta foi uma semana especialmente interessante. Comecei com as guerreiras Mães de Maio e Mães de Acari que, em tempos e locais distintos enfrentaram a dor lutando por justiça. Ainda neste universo maternal, li o relato franco e direto de uma que, ao engravidar com 17 anos, viu a vida tomar um atalho desconhecido. Já o desvio da rota padrão foi a opção da mulher que, escolheu viver maternidade sem gravidez. Mesmo podendo geral um filho biológico, a escolha dela foi pela adoção.

Já o caminho do jovem estudante que participou com outros 34 de Programa Jovem Embaixador está sendo formando, conquistado, a cada novo, e nem sempre fácil, passo que ele dá. Aluno da rede pública de ensino, foi selecionado pelo programa da Embaixada Americana no Brasil. Passou três semanas nos Estados Unidos e, no clima da eleição de Obama – ele assistiu lá a posse do novo e festejado presidente –, descobriu que, sim, ele também pode.

Agora universitário – está no primeiro período do curso de Matemática de uma universidade federal e no segundo semestre começa o curso de Engenharia em uma universidade estadual –, ele ainda cursa o ultimo período de um curso técnico e no meio do ano embarca novamente para os Estados Unidos. Ganhou uma bolsa para um curso de férias de Inglês. Como há tempos percebi, com gente que a gente aprende a ser gente.

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