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Inspiração

Há algumas semanas, Zuenir Ventura escreveu uma crônica para o jornal com o sugestivo título “Musa inspiradora”. Mas não, não era uma homenagem a uma musa em especial e nem a várias delas, ao contrário. No texto, Zuenir lembrou histórias de compositores e escritores que diziam que tinham como musa inspiradora o prazo, um pedido de um produtor, uma encomenda. Sim, obras de arte podem e são feitas por encomenda, o que não as desmerece ou diminui.

Refletindo sobre a reflexão do cronista, pensei em minha aventura pelo universo das crônicas, dos contos e da poesia. Nunca tive a pretensão de classificar minha produção como artística. Para mim, escrever sempre foi um exercício de criatividade, um meio de experimentação, um desafio pessoal. Um algo meu para mim mesma. Portanto, sem prazos e encomendas. Talvez por isso, eu tive sim uma fonte de inspiração. Não digo muso, simplesmente porque acho que, se pode ser esta a ideia, não é a palavra.

Aliás, muso é palavra que não existe. Existe o feminino, que, segundo o dicionário, é qualquer ser ou divindade que inspira as artes. Ser, sim; divindade, nenhuma. Minha fonte de inspiração foi, durante muito tempo, uma pessoa – como qualquer outra pessoa, única – também em busca de inspiração. Acompanhar de perto esta busca foi um estímulo para resgatar coisas que também eu havia tentado encontrar um dia. Assim, voltei a escrever. Depois parei, mas acho que estou voltando novamente.

Nesta volta de agora, com a crônica e com tudo que a partir dela pensei, entendi que nestas e em outras idas e vindas que foram e que ainda virão, haverá sempre algo daquela fonte inspiradora. Podem surgir outras fontes, outros seres e pessoas, pode ser que um dia até prazos apareçam, mas aquela inspiração que me fez buscar referências de mim mesma será sempre um estímulo especial. Deixando me levar novamente por este estímulo, digo para você, meu amigo escriba, muito obrigada!

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