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Dia dos pais

Eu era bem pequena e, talvez por isso, as lembranças, além de fragmentadas, tenham também algo de fantasia. Mas, ora, se há fantasia é porque houve magia. Claro! Sempre houve magia. E é, afinal, ela que fica. Apaziguando as saudades e alimentando as paixões. Hoje, dia dos pais, meu pai não está aqui. Hoje, dia dos pais, ele irá comigo no Maracanã. Porque se é domingo e eu vou ao Maracanã é porque um dia ele me levou, ainda pequena, ao “Maior do Mundo”.

Agora que eu sou grande, o Maracanã está menor. E não foi a percepção exagerada da infância que se adequou a realidade, o estádio mudou. Deixou, há muito tempo, de ser o maior do mundo e foi diminuindo, diminuindo, diminuindo até se tornar uma arena. Hoje vou a este “Novo Maracanã”, mas meu coração estará naquelas arquibancadas sem bancos ou cadeiras, com degraus mais compridos que minhas pernas.

Era ali que eu sentava com as pernas cruzadas e, ao longo dos jogos ia me distraindo com diálogos inventados e histórias criadas. Eu brincava naquelas arquibancadas e se por vários momentos deixava de assistir o futebol, sentia-o o tempo todo. Mesmo quando comia cachorro-quente Geneal (naquela época eu ainda comia cachorro-quente) acompanhado do refrigerante que, trazido em espécies de mochilas que pareceriam futuristas ainda hoje, era servido através de uma mangueira.

Não lembro se assisti a um jogo com meu pai em um dia dos pais. Em um dia dos pais, lembro, ouvimos um jogo pelo rádio. Muitas vezes ouvi jogos pelo rádio com ele, mas aquele domingo, além de ser dia dos pais, era véspera do meu aniversário e nós estávamos passando pelo Aterro de carro. Tanta coisa também passou desde então... Aniversários, jogos, dias dos pais e, unicamente no sentido físico, até meu pai.

Ficaram as lembranças, preservadas com carinho; a saudade, que se tornou menos dolorida com o tempo; e o amor de sempre. Ficou, também, o gosto pelo futebol e, claro, a torcida pelo Fluminense. Como diz uma música cantada pela torcida nos estádios: “comigo vou levar as cores que herdei, verde, branco e grená”. Hoje é domingo, dia dos pais, eu vou ao Maracanã e você, pai, vai comigo. Hoje o dia é seu!


Comentários

Anônimo disse…
Bela forma de recomeçar . Como disse Saramago "É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles