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Mostrando postagens de Julho, 2014

Escrevinhar

Para escrever é preciso ler. Esta afirmação me foi feita inúmeras vezes na faculdade e outras tantas depois que me formei. Algumas vezes eu mesma a repeti. Com convicção porque tinha e tenho ainda hoje esta certeza. Ler por prazer, ler para buscar inspiração para a vida, mas ler, também, para tentar escrever. Nos últimos dez anos, em alguns momentos eu escrevi muito, em outros, pouco ou nada.

Mesmo lendo muito, às vezes mais de dez livros em um único mês, passei meses inteiros e seguidos sem produzir uma única linha. Claro que havia sempre as matérias, mas isso era trabalho. Mas algo meu e para mim – por mais que me fizesse bem me saber lida por outras pessoas, sempre escrevi para mim mesma – cheguei a pensar que não escreveria mais. Nenhum flerte com a literatura, nenhuma paquera com a ficção, nenhum olhar para a crônica.

A vontade latente era, na verdade, necessidade, mas faltavam ideias. Faltava a primeira palavra, a primeira frase, o primeiro novo texto. E eu lia, e lia, e lia, se…

Despedida

Nunca teve sensações ou certezas definitivas. Nunca teve certeza de que não voltaria a um lugar. Nunca sentiu que não sentiria novamente uma emoção ou uma dor. Nunca, nem agora, teve a sensação de que não voltaria a ver alguém.

Não estava certa que não voltaria a vê-lo. Tampouco tinha certeza de que o veria novamente. Mas sabia, naquele momento era somente isso que sabia, que ao fechar aquela porta e descer aquela escada estava se despedindo.

Nenhuma palavra. Nenhuma dúvida sobre agora. Mas e depois? Chegou à rua sem saber como seria depois. Depois agora seria antes e agora era o antes de quase agora que já lhe fazia sentir saudade.

A copa dos brasileiros

A Copa acabou há três dias, mas ainda é tempo de falar sobre ela. Aliás, acho que durante muito tempo se falará sobre ela e se sentirá os efeitos dela. Que efeitos são estes? Um mês de competição mais três dias já de saudade é pouco até mesmo para entender a dimensão e o impacto de tudo que aconteceu dentro e principalmente fora de campo.

Foram 32 seleções, 64 jogos, 171 gols, mais de 3,4 milhões de pessoas presentes nos estádios. Os números impressionam, mas não são suficientes para explicar por que a competição foi chamada por uns de “Copa das Copas” e por outros de “Melhor Copa”. Talvez a euforia venha da dúvida. Ou mesmo os mais otimistas não pensaram que algo poderia dar errado? Problemas e falhas ocorreram, claro, mas não comprometeram o sucesso do evento. Sim, a Copa do Mundo no Brasil foi um sucesso!

Qual o legado que ela deixa? Legado... Nunca antes esta palavra foi tão usada. Repito que ainda é cedo até para entender o que aconteceu por aqui no último mês, mas me arrisco a d…

Mar

Adoro as metáforas. Recorro a elas para me explicar e para me entender. Não me entendo e não entendo tantas coisas que as metáforas estão, também, nos meus sonhos. E se a metáfora é uma figura de linguagem, o que figura em todas as minhas metáforas é o mar.

“O bem do mar é o mar, é o mar”, cantava Caymmi. E que bem ele, o mar, também me faz. É para ele que olho quando busco respostas, é nele que me jogo quando procuro energia, é ele que reverencio quando anseio pelo movimento, quando desejo a mudança.

Mudança, movimento, novidade. É esta a sequência de ondas que desejo e anseio agora. E é o mar, uma vez mais ele, que vai me inspirar e explicar. São as ondas que vão me impulsionar. Porque eu adoro metáforas e a minha metáfora é o mar.

Caminho

Não e possível definir onde. Tampouco quando ou como. Demorei a perceber que havia deixado pelo caminho algo importante. Segui na ignorância da perda, prossegui acreditando que chegaria, mas me faltava o essencial para alcançar um destino que eu ainda desconhecia. Um destino que era meu, que poderia ser meu. Que destino era este? Sem resposta andei, segui, continuei. Mas havia perdido algo importante no caminho. Não percebi e andei mais, segui mais, continuei mais, mas era essencial o que havia sido perdido. Sem alcançar nada, sem chegar a um lugar que reconhecesse como meu, questionei: perdida? Ao fazer esta pergunta percebi que o importante, que o essencial, que o que tinha ficado perdido no caminho era eu mesma. Perdi a mim mesma no caminho. Minha essência havia ficado no caminho do destino que poderia ser meu. Era meu? O que poderia ser meu agora? O que seria de mim agora, perdida de mim mesma no meio de um caminho?