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Mostrando postagens de Julho, 2015

Ainda sobre escrever

Quando eu era criança, escrevia porque gostava e porque as pessoas diziam que eu escreva bem. Eu gostava de ouvir isso. Eu gostava de acreditar que escrevia bem e gostava, também, de acreditar que poderia ser uma escritora um dia.
Decidi estudar jornalismo por isso. Um pouco por querer escrever, um muito por achar que sabia escrever. Mas logo descobri que eu não sabia escrever. Ou melhor, até sabia, mas não sabia que escrever, ao menos no jornalismo, era muito mais esforço que inspiração, dom.
Mesmo assim, escrever uma matéria sempre era, para mim, achar que não iria conseguir. Precisava começar com muita antecedência, por garantia, por medo, por total insegurança. Poderia dar um problema... Não dava, mas eu seguia com medo e insegura.
Jornalista, as pessoas diziam que eu fazia isso bem. Eu gostava de ouvir isso. Eu gostava de acreditar nisso, mas eu não ousava pensar em trabalhar em um jornal. Não trabalhei. Não só por isso, também pelos rumos que a vida profissional tomou, mas muit…

Escrever, escrever, escrever

Li há algumas semanas, em uma matéria de um site que já não lembro qual, que “não existe livro de autoajuda melhor que uma página em branco”. Desde então tenho, intermitentemente, lembrado disso.
Tenho pensado em como, em meio às turbulências e às calmarias que me atingem, nos atingem todos, de surpresa ou não, sinto necessidade de escrever. Mas não escrevo. Ou não escrevo mais, há alguns anos.
Anos em que as turbulências aconteceram e as calmarias também. Anos em que a necessidade existe e a vontade também. Persiste. Mas não escrevo. Há alguns anos não escrevo. Mas leio. Muitas vezes em busca de estimula em inspiração, eu lei. Muito!
Leio ótimos livros, começo – e algumas vezes abandono logo em seguida – outros que não gosto, me entretenho com alguns que são apenas bons e diante de alguns que considero medianos penso: eu certamente poderia fazer algo assim.
Eu poderia até fazer melhor. Eu até penso. Eu acho. Eu sei. Os meus dois leitores mais fiéis – eu tive outros leitores quando…

Movimento

Há momentos, fases, épocas em que tudo parece meio estacionado, monótono, suspenso. Existe e insiste a necessidade de movimento, mas tudo parece e se reveste com a desculpa do difícil. Agora não dá, agora não posso, agora não consigo. Agora não. Depois. Há, claro, o que, por motivos reais e justos, precise ficar para depois. Mas e o que pode ser agora?
Sempre há o que seja possível. Talvez identificar este possível seja apenas questão de apurar a atenção, de se desviar das desculpas, de abdicar, mesmo que temporariamente, dos grandes movimentos e começar pelo que é curto, pelo que é possível. Nem que seja só para isso, só para começar agora. Depois o momento será outro e o movimento também. Depois!
Por hábito, minha rota de fuga ou meu esconderijo passam ou se fecham nos livros. Não que isso seja ruim, não é, mas quando tudo parece parado não é a zona de conforto que detonará o movimento. E, não posso negar, por melhores, mais difíceis ou complexas que sejam as obras, os livros são a…

Diálogo inexistente de carnaval

- Ninguém me ama, ninguém me quer. Ninguém me chama de Baudelaire. - Esta é a sua fantasia? - Oi? - A declaração. É sua fantasia? - É minha realidade. - Não combina. - Minha fantasia? - Sua realidade. - Também acho. - Eu quero. - O que? - Você. - Mas é carnaval, não realidade. - Então. Eu quero. - Eu não quero fantasia, quero realidade. - Eu quero fantasiar a realidade. - E depois? - Depois... A realidade é que depois sempre tem carnaval de novo ano que vem.

Depois ainda é antes

O sol já estava lá, mas ainda não podia ser visto. Entre tantos sentimentos, não podia ser sentido. Talvez pressentido na luz que ressaltava o azul do céu. O céu estava azul, mas fazia frio.
O sol estava lá, mas a cidade permanecia adormecida. Anestesiada, talvez. Eram poucos os carros que passavam e a velocidade deles, de todos eles que eram case nenhum, era inferior a dos meus pensamentos. Meus sentimentos.
Eu sentia a saudade. Ela já estava lá, podia ser sentida na ausência pressentida, anunciada. Você havia anunciado o fim de algo que sequer tinha começado e estávamos os dois ali.
Naquela esquina, sentindo nossas ausências, de agora, de antes e de sempre, nos braços daquele instante, braços de agora. Abraços de agora, de antes, de depois que depois não mais viria.
Eu não queria ir. Eu não queria chorar. Chorei por ter que ir. Chorei por sentir seu corpo deslizando pelo meu como água que não volta. Chorei por sentir sua frase como o último grão de um punhado de areia fugido de mi…