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Ainda sobre escrever

Quando eu era criança, escrevia porque gostava e porque as pessoas diziam que eu escreva bem. Eu gostava de ouvir isso. Eu gostava de acreditar que escrevia bem e gostava, também, de acreditar que poderia ser uma escritora um dia.

Decidi estudar jornalismo por isso. Um pouco por querer escrever, um muito por achar que sabia escrever. Mas logo descobri que eu não sabia escrever. Ou melhor, até sabia, mas não sabia que escrever, ao menos no jornalismo, era muito mais esforço que inspiração, dom.

Mesmo assim, escrever uma matéria sempre era, para mim, achar que não iria conseguir. Precisava começar com muita antecedência, por garantia, por medo, por total insegurança. Poderia dar um problema... Não dava, mas eu seguia com medo e insegura.

Jornalista, as pessoas diziam que eu fazia isso bem. Eu gostava de ouvir isso. Eu gostava de acreditar nisso, mas eu não ousava pensar em trabalhar em um jornal. Não trabalhei. Não só por isso, também pelos rumos que a vida profissional tomou, mas muito por isso.

Com o tempo entendi que, com informação, escrever uma matéria poderia ser como escrever um bilhete, um recado, uma nota. Fácil e natural. Rotina. Mas e aquela escrita da infância? A escrita além e, mais que isso, anterior ao jornalismo.

Esta é esforço e dedicação ou realmente inspiração e dom? Ou será tudo isso unido pela vontade e pelo empenho? Será que posso escrever? O que? Como? Por onde começar? Começar... Talvez a resposta seja esta. Talvez a palavra seja recomeçar. 

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