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Movimento

Há momentos, fases, épocas em que tudo parece meio estacionado, monótono, suspenso. Existe e insiste a necessidade de movimento, mas tudo parece e se reveste com a desculpa do difícil. Agora não dá, agora não posso, agora não consigo. Agora não. Depois. Há, claro, o que, por motivos reais e justos, precise ficar para depois. Mas e o que pode ser agora?

Sempre há o que seja possível. Talvez identificar este possível seja apenas questão de apurar a atenção, de se desviar das desculpas, de abdicar, mesmo que temporariamente, dos grandes movimentos e começar pelo que é curto, pelo que é possível. Nem que seja só para isso, só para começar agora. Depois o momento será outro e o movimento também. Depois!

Por hábito, minha rota de fuga ou meu esconderijo passam ou se fecham nos livros. Não que isso seja ruim, não é, mas quando tudo parece parado não é a zona de conforto que detonará o movimento. E, não posso negar, por melhores, mais difíceis ou complexas que sejam as obras, os livros são as cercas da minha zona de conforto.

Tenho sempre muitos livros por perto, tenho facilidade de me concentrar e me entregar às boas leituras e já não tenho mais pudor em abandonar as que considero ruins. Na Literatura me busco e muitas vezes me encontro e, claro, isso é bom. Mas isso já é assim e, por já ser assim, é fácil. Mas e o que está além?

O cinema está além. Assistir a filmes não é um hábito, mas me faz bem, me estimula, sensibiliza, desperta e inquieta. Gosto do que o cinema me provoca, mas nunca consegui, talvez nunca tenha tentado, fazer dele um hábito. Talvez, em um momento em que tudo parece meio estacionado, monótono, suspenso possa começar aí o meu movimento.

Em um fim de semana em que o resfriado se misturou ao desânimo, li três livros e assisti a dois filmes. Acho que os livros eram melhores que os filmes, se é que é possível fazer este tipo de comparação, mas foram eles, os filmes vistos quase que ao acaso, que me tiraram da inércia de dois dias em casa.

Foram os filmes que me levaram a escrever e escrever é uma ação que eu desejo e preciso, mas que eu sempre acho que agora não dá, agora não posso, agora não consigo. Agora eu preciso encontrar os caminhos que me tragam de volta para cá. Mas isso é outra história. São outras histórias que eu preciso ver e viver antes de escrever.
   


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