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Tempo

Segunda-feira, 4 de agosto, 6h39. Só um café bem forte me daria coragem para começar a semana. Preparei meio com pressa e quando sentei à mesa diante da minha xícara colorida percebi que as cores não estavam apenas nela. O reflexo do sol no prédio da frente já se refletia na parede da cozinha.

Não havia reflexo do sol na parede na semana passada. Nem na sexta-feira, 24 de julho.

Sexta-feira, 24 de julho, 7h16. Muitos carros nas ruas, muitos pensamentos na cabeça. Eu estava absorta nestes dois emaranhados quando, ao virar a esquina, o sol ofuscou a minha visão. Precisei coloquei os óculos de sol e me dei conta que há tempos eles não me acompanhavam pela manhã.

Os óculos estavam na bolsa, mas não os usei semana passada. Nem na quinta-feira, 16 de julho.

Quinta-feira, 16 de julho, 7h11. Observei a luz da manhã pela janela do ônibus. Era uma luz bonita, mas faltava o sol. Busquei por ele entre os prédios e por detrás de morros durante todo o percurso, mas só o encontrei, ainda próximo ao mar, quando estava chegando a meu destino.

Não vi o sol antes de chegar ao trabalho na semana passada. Nem na segunda-feira, 6 de julho.

Segunda-feira, 6 de julho, 06h53. Abri a porta do prédio ainda com sono e o dia parecia ter se esquecido de começar. Ainda estava escuro e os carros passavam devagar, com os faróis ainda ligados. O dia, os carros e eu estávamos preguiçosos naquela manhã de segunda-feira com cara de noite.

Estava preguiçosa naquela segunda e estou preguiçosa hoje, segunda-feira, 4 de agosto.

Podem ser preguiçosas as manhãs de segunda-feira, podem parecer iguais todos os dias na rotina, mas há o sol. Há, mesmo quando ele não há, o sol indicando, como indicam o crepúsculo, a lua e as marés, que o tempo não é sempre o mesmo. O tempo flui, a Terra gira e a vida... A vida precisa de movimento.

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