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Para escrever é preciso ler

Tive um professor, um dos melhores professores que eu tive, que dizia que para escrever é preciso, primeiro, ler. Ler livro, ler jornal, ler até mesmo bula de remédio. Eu leio, leio muito. Leio livros, dos clássicos às novidades, fugindo apenas dos títulos de autoajuda e dos best-sellers mais populares. Leio prosa e poesia. Leio notícias e crônicas. Leio jornais e blogs. Leio até mesmo bulas de remédios, para desespero dos meus médicos, que recebem ligações minhas dizendo que não vou tomar este ou aquele remédio receitado por eles porque a bula diz que pode causar isto ou aquilo.

Leio desde pequena. Aliás, acho que comecei a ler antes mesmo de aprender a ler, com os livros que minha mãe lia para mim. Na escola, podia faltar a mochila da moda ou o estojo com 574 funções, mas não faltava nenhum livro pedido ou somente recomendado pelos professores. Conforme o tempo passou, alguns livros especiais caíram em minhas mãos, eu comecei a gostar de escrever e a acreditar que poderia escrever bem (ambas as coisas obra de outra professora, também uma das melhores que tive), decidi estudar jornalismo e namorei um cara que queria ser escritor, o hábito da leitura se se intensificou.

Escrevo também. Escrevo por trabalho e escrevo, de forma intermitente, em vários cadernos que mantenho a minha volta e aqui neste blog que criei há mais de dez anos. Hoje ele é pouco atualizado, mas no início, e por um bom tempo, me obrigava a publicar regularmente, um parágrafo que fosse. Era a época dos blogs, eram muitos e bons, com conteúdo interessante e, principalmente, bem escrito. Hoje, não sei se é só impressão minha, parece que os blogs perderam espaço. Em seu lugar sugiram páginas que reúnem textos de estilos e autores diferentes.

Talvez as pessoas até estejam escrevendo mais, já que nestas páginas são todos são colunistas ou cronistas. Todos têm, ou pensam que têm, uma opinião a dar, uma análise a fazer, um estilo para escrever. Ideias, opiniões e estilos são subjetivos – eu gostar ou não faz com que sejam bons ou ruins –, mas ortografia e gramática não. Não dá para publicar em uma página, seja ela qual for, ser conhecer as normas ortográficas e gramaticais da língua portuguesa. Não dá para assinar um texto e se apresentar como colunista ou cronista é mistura em um mesmo texto, parágrafo ou frase você e te.

Pego este exemplo porque é dos que mais me incomodam, inclusive no trabalho. Falamos desta forma? Falamos. Eu mesma, ao falar, uso diversas vezes o pronome oblíquo te misturado com o pronome de tratamento você. Mas a partir do momento que eu ou qualquer outra pessoa nos propomos a escrever, devemos entender que coloquialismo não justifica erro. Talvez isso me incomode tanto quanto ouvir um “para mim fazer” porque eu, antes de escrever, leio.

Embora saiba que escrevo muito melhor do que muitos que estão por aí, acho que tenho muito a ler antes de começar a pensar que escrevo bem, antes de assinar qualquer texto que seja como colunista, cronista, contista, poeta. Por hora, sou, além de jornalista, alguém que escrevinha nas horas vagas. Sou leitora e isso me impede de dizer que sou escritora. Não, ainda não sou uma. Quem sabe um dia...

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