Pular para o conteúdo principal

O último momento último

Hoje li e me emocionei com um texto que falava sobre como cada momento é único, sobre como estamos, o tempo todo, fazendo algo pela última vez e sobre como, quando temos consciência disso, vivemos cada momento como o que eles são, únicos. Mesmo que as experiências ou as ações se repitam, serão sempre únicos. Serão sempre momentos que estaremos vivendo pela primeira e última vez.

Se eu tivesse pensado nisso quando demos nosso último beijo... Ele não se repetiu, mas ali, naquela manhã, na porta da padaria, eu pensei no próximo beijo que não aconteceu e deixei de aproveitar aquele que seria, em todos os sentidos, o último. Nosso último beijo... Se eu soubesse, teria lhe abraçado como abracei, mas depois, quando fomos andando pela mesma rua, mas em direções opostas, eu teria olhado para trás.

Se eu lembrasse que aquele momento que eu sabia especial, isso eu sabia, era também único e, neste sentido, último, eu teria tentado apreender mais toda a atmosfera dele. Se eu lembrasse, mesmo que eu não soubesse que não o veria mais depois, teria observado os passos do seu caminhar tão particular. Teria guardado o cheiro do pão fresco, o azul do céu que amanhecia, o calor tímido dos primeiros raios de sol.

Se eu soubesse, talvez não tivesse esperado pelo depois. E aí, talvez o depois então pudesse ter acontecido. Talvez depois tivéssemos tido outros últimos encontros, outros cafés da manhã únicos, outros beijos com o gosto especial que o que não tem depois tem, deixa. Não fiquei com este gosto do seu beijo. Ficou para depois, mas o depois não veio e você foi com aquele último momento último. Se eu soubesse...

Comentários