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Mostrando postagens de Novembro, 2016

Prenúncio de terça-feira

Era terça-feira. Talvez eu não lembrasse que dia era se, justamente naquele dia, não tivesse pensado que as terças-feiras são dias sem peso, bom ou ruim. Sem expectativa, boa ou má. São todas as terças, todas elas, menos aquela, não foi. Menos esta, não será. Hoje é terça-feira.

Acontecer

Acontece de conhecer Acontece de se interessar Acontece de se encontrar Acontece de se encantar Acontece de se reencontrar Acontece de querer mais Acontece de ter mais Acontece de mudar Acontece de desencontrar Acontece de não encontrar Acontece de tentar Acontece de não falar Acontece de não querer Acontece de tentar de novo Acontece de insistir Acontece de desistir Acontece de não conseguir Acontece de pensar Acontece de lembrar Acontece de ainda querer Acontece... Todo dia, até o dia que acontece Tudo de novo Acontece!

Eu em mim

Há dias em que transbordo de mim
Há dias em que sobram espaços em mim
Dias de menos, dias de mais
Ora sou eu faltando, ora sou eu transbordando
Poucos dias, quase nenhum, na medida
No compasso e no ritmo
Muito dias, quase todos
Descompassada, descompensada, transbordada
Talvez todos os dias
Sou menos e sou mais
Não caibo muito em mim

A tarde

A tarde é, para mim, o tempo crucial do dia. Na manhã, tudo ainda é possível. À noite, tudo já pode ficar para depois. A tarde é quando ainda não é tarde para a possibilidade da manhã de hoje não terminar ficando para depois.

Páginas

Um tempo em que nos cadernos fórmulas, regras e normas dividiam as páginas ou emprestavam suas margens para flores, estrelas, ondas, traços e... Nomes. Às vezes, muitas vezes ao longo de meses, o mesmo nome repetido. Escrito e reescrito. Acompanhado de fantasias, vontades, desejos e, quase sempre, de um mesmo símbolo desenhado com esferográfica azul, lápis preto ou hidrocor vermelha. Nomes e corações nas páginas de cadernos de um tempo que agora já passou.

O tempo de agora é o tempo das cadernetas de anotações. A ideia era – por insistência, continua sendo – usá-las para registrar ideias que poderiam – por esperança, ainda podem – se transformar em textos. Escrever é a ideia insistente e esperançosa, mesmo que haja mais páginas em branco do que escritas no tempo de agora. Mas descobri que há em uma página na caderneta de agora um nome e um coração. Desejos e vontades que também existem nas páginas do tempo de agora.

Vai, começa

Vai, começa. Um traço, outro. Escreve uma letra. Só uma. Depois, talvez, outra. Letra mais letra, palavra.

Uma palavra, só uma. Depois, talvez, outra. E outra. E continua. Vai, continua. Mais um pouco. Continua e vai.

Aí vai, foi, continua. Mas tem que começar. Vai, começa. Faz os primeiros traços. Qual a primeira letra?