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O batom, a meditação e a escrita

Meditação e batom. O que uma coisa tem a ver com a outra? Talvez o que as relacione seja algo próximo de uma decisão de ano novo. Certamente não tão próximo, porque nunca tomei as tais decisões de ano novo, quase sempre fadadas ao fracasso. Aliás, decisões... Tenho dificuldade de tomá-las. Ou não... Talvez seja só dificuldade de chamar de decisão o que decido fazer. E foi assim, decidindo fazer alguma coisa que, quando o ano já tinha até começado, decidi fazer duas coisas: tentar aprender sozinha a meditar e usar batom todos os dias. Eis a relação. Eis o que ainda estou fazendo hoje, quase três meses depois. Não é que foi mesmo uma decisão?

O batom. São segundos. Não sei quantos, mas não passam de 60 e, não passando, não chegam a um minuto e são, portanto, realmente segundos. Mesmo em um início de dia cronometrado, todos os meus inícios de dias são cronometrados, segundos são só segundos. Não podem ser a desculpa para o atraso. Mas eram desculpas para o não atraso. Eu não usava batom e não me atrasava. Eu passei a usar batom e, além de continuar pontual, coloquei cor nesta correria minha de todo dia. Que diferença faz na minha vida? Talvez alguma, certamente nenhuma tão relevante. Futilidade? Que seja. Mas decidi fazer e fiz.

A meditação. Por mais alguns segundo, bem mais segundos e, portanto minutos. Neste caso, não preciso, mas aproximo. Entre 900 e 120 segundos ou – para que complicar? – 15 e 20 minutos. Mais que uns poucos segundo, mas bem menos que 60 minutos, portanto, minutos com direito a diminutivo. Minutinhos que não fariam falta em uma noite, mesmo que curta de sono, não é mesmo? É mesmo, agora sei. Não é fácil, o efeito varia a cada tentativa, mas todo dia – serei honesta, quase todo dia, porque há dias em que não tento meditar – além da sensação boa que o exercício traz a o bônus do: não é que decidi e fiz?

Estou fazendo e acho que talvez seja hora de fazer mais. Esta semana, após visitar meu blog – meus blogs, na verdade, porque como o primeiro estava meio parado, criei outro para ver se conseguia manter uma produção menos intermitente – me surpreendi com meus próprios textos. Fui eu mesma que escrevi isso? É... Acho que faço isso pelo menos direitinho... A surpresa foi tanta que escrevi sobre ela em uma rede social. Não menos surpreendente foi a reação dos amigos e conhecidos.

Eles têm mais segurança na minha capacidade de produzir textos bons que eu mesma. Palavras de incentivo, mensagens quase que de cobrança. Você precisa! E eu acho que preciso mesmo. Bem mais do que eu precisava do batom, mais do que eu preciso da meditação. Então... Por que não uma decisão de quase meio de ano? Ou, vou ser condescendente comigo mesma, de meio de ano? Talvez tenha passado da hora de tomar a decisão de fazer a escrita, não da escrita profissional do jornalismo meu de todo dia, mas da escrita ficção, ou nem tanto, não muito bem definida se prosa ou poesia.

A escrita. Há dias em que no trabalho escrevo quatro, cinco, até dez matérias, se forem mais curtas. Há dias em casa que fico uma, duas horas fazendo quase nada, ou fazendo coisas que não farão nenhuma diferença se deixarem de ser feitas. Não vão ser segundos. Talvez minutos sejam suficientes. Claro que não minutos que mereçam o diminutivo, mas minutos que somados serão, ainda assim minutos e não horas. Ou, uma hora solitária na companhia de alguns, estes sim, minutinhos. Um texto por semana que seja, do tamanho e da forma que for. Por que não decidir e fazer?

Batom, meditação e escrita. No fim, tudo pode ter a ver.

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