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Sobre vontades

Aquela fome que surge devagar, aumenta, continua e de repente, como se o tempo tivesse dado um pulo, você percebe que simplesmente passou. Sabe como é? Eu não sei, não em relação à fome. Talvez trocando a fome pelo sono. Talvez... Não sei, mas sei e reconheço esta lógica meio sem lógica em relação às vontades. 

Você quer muito, tenta, insiste, insiste mais, às vezes perde até um pouco a medida e a noção, mas não consegue e a vida segue. Até que, como se o tempo tivesse dado o tal pulo, um dia percebe que passou. Mais que isso, um dia não se reconhece mais naquela vontade. Eu? Eu quis mesmo isso? Tanto assim?

Foi esta a sensação hoje. Uma fase, uma foto e este estranhamento de ter querido o que agora parece tão... Tão... Vá lá, pode parecer algo como recalque, mas é que o objeto do desejo de antes parece tão pouco interessante agora. Não porque mudou ele, o objeto – muito embora, não sendo ele literalmente um objeto, possa ter mudado também.

Pode ser que também não tenha mudado o que deseja, mas mudou o momento, o contexto, os caprichos, as carências... As vontades. Porque tudo isso muda com o tempo o tempo todo, mesmo quando ele nem parece pular. Que bom que muda! E que bom que quando muda você consegue sorrir ao se questionar: eu quis mesmo tanto isso?

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