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De novo acontecer

Quase como um rasgo, quase como um furo pequeno em um tecido puído pelo tempo. Uma fresta no céu de nuvens cinzas, encardidas e puídas pela chuva. Dias e mais dias e mais dias e muitos dias de chuva. Agora, depois, havia, de novo e pela primeira vez, claridade. Havia só a claridade fraca, a insinuação de uma luz sem cor. Ainda sem cor! Mas era luz e era capaz de fazer sonhar o azul de outrora. Fazia sonhar e fazer esperançar. O azul e o sol, o riso e a alegria de outrora. Havia ali, no quase rasgo, um rasgo de esperança, um furo no desânimo acumulado, um buraco surgido por entre o abatimento que, afinal, não era assim tão cinza, não era assim tão pesado, nem denso. Menos denso agora, menos ainda depois. Haveria de se dissipar, de se colorir, de acontecer. De novo acontecer.

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