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Pessoa com adjetivo

Outro dia alguém afirmou: aos 25 anos as pessoas estão casando e tendo filhos. Eu, que passei pelos 25, pelos 30 e por mais alguns bons anos sem sequer pensar em casar e ter filhos pensei: será que não sou, então, uma pessoa? Não sou. Pelo menos não uma pessoa como a que disse isso. Um olhar desatento para nós já registra isso.

Na lógica sem lógica de uma afirmação nada lógica, concluo que, mesmo não tendo casado ou tido filhos, nem aos 25 anos e nem depois, sou pessoa. Ufa! Que alívio... E na tranquilidade de me saber também pessoa, passei a pensar, então, em tudo que fiz dos 25 anos para cá que não faria se tivesse me casado ou tido filhos.

Seria, ainda assim pessoa, mais diferente. Perderia experiências, mas, claro, ganharia também. Teria frustrações, como não as deixei de ter. Seriam outras, mas existiriam, como as alegrias e tristezas, os ganhos e as perdas. Só que neste balanço de suposições de como seria se tivesse sido diferente, julgo positivo o saldo de ter sido eu, pessoas além (ou aquém) das convenções.

Talvez quem fez a afirmação que deu início ao texto avalie que o saldo dela é que é positivo. Bingo! Não se deixar guiar pelo que a sociedade insinua, espera e exige é encontrar o seu caminho, é viver as experiências que lhe fazem, não só pessoa, porque pessoas somos todos nós, mas uma pessoa com adjetivo. Melhor, mais feliz, plena... Livre!

Aos 25, aos 30, aos 35, aos 40, aos 45, aos 50, aos 55... Sempre as pessoas podem, e devem, fazer escolhas. Se for o caso, mudar de ideia, desescolher e escolher de novo. Seguir e desviar. Voltar. Continuar ou parar. Insistir ou desistir. Persistir. Entender que o que importa não é fazer o que esperam da gente, mas o que a gente espera da vida.

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