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Vamos juntas?

Sororidade. Uma palavra que demorei a conhecer — ouvia-a pela primeira vez quando já era adulta — e demorei um pouco mais para compreender o que de fato significa. Segundo dicionários online — o dicionário impresso que tenho no trabalho, edição de 2004 que se diz revista e atualizada, não traz a palavra — a origem está no latim sóror, que significa irmãs. Este termo pode ser considerado a versão feminina da fraternidade, que se originou a partir do prefixo frater, que quer dizer irmão. Ou seja, é um substantivo feminino que, nas definições mais recorrentes na internet, se refere a uma união e a uma aliança entre mulheres, baseado na empatia e companheirismo.

O conceito de sororidade está ligado diretamente ao feminismo. Não por acaso, outra definição comum na internet é a de um pacto entre as mulheres relacionado às dimensões ética, política e prática do feminismo contemporâneo. Feminismo. Esta palavra eu conheço há muito tempo. Está, inclusive, no dicionário atualizado e revisado em 2004 que tenho no trabalho. Segundo ele, é o movimento daqueles que preconizam a ampliação legal dos direitos civis e políticos da mulher. É mais!

Justamente por causa deste mais, o entendimento real do que é o feminismo veio com o tempo, assim como o reconhecimento da importância e da necessidade dele. Também com o tempo, embora talvez com menos tempo, fui me percebendo e me tornando feminista – no gerúndio porque é, está sendo e talvez seja sempre um processo. Um processo que, voltemos à sororidade, passa pelo não julgamento entre as próprias mulheres que, muitas vezes, ajudam a fortalecer preconceituosos criados por uma sociedade machista.

Do dicionário para a tela da televisão, episódios recentes levaram a questão, os conceitos e a discussão – que bom – para telejornais de grande audiência, programas de debate e jornais mais populares. O ator conceituado, tido por muitos anos como galã, que assediou uma figurinista, e a violência transmitida ao vivo em um reality show trouxe à tona – embora eu, pessoalmente, ache que só quem não queria ver não via este tipo de coisa – o machismo nosso de cada dia, os abusos que acontecem e se repetem corriqueiramente e rotineiramente. Infelizmente.

Não assistia ao reality show, mas soube o que aconteceu, vi os vídeos, acompanhei a repercussão e, diante de tudo isso, ontem parei para assistir. Muito provavelmente apenas pela repercussão negativa e para se garantir legalmente, a emissora expulsou do programa o agressor. Seguiu-se a isso a triste, mas comum, reação da mulher que sofreu a violência psicológica e física. Como é comum com vítimas deste tipo de abuso, ela minimizou, tentou justificar, se culpou, sofreu pela separação.

Por outro lado, foi bonito ver a reação das outras duas mulheres que ficaram com ela no programa. Acolheram, acalentaram, apoiaram. Independente de ter havido diferenças e desavenças anteriores entre elas. O que se viu em rede nacional foi o que o dicionário de 2004 desconhece: sororidade.

Sororidade! Como é a internet que define a palavra, é da internet que vou pegar emprestado uma expressão que já li algumas vezes e que pode ser só vontade de alguns, talvez seja previsão de outros, mas que eu torço mesmo é para que traga mudança: primavera das mulheres. Vamos fazer juntas?

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