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Mostrando postagens de Maio, 2017

Para minha professora

Escrever sempre foi, para mim, um desejo. Às vezes também exercício, outras sonho, possível ou impossível. Na infância, “livros” escritos na velha máquina de escrever. Na adolescência, a decisão de estudar jornalismo. Ao longo da vida profissional, a criação e manutenção, um tanto intermitente, de um blog. Blog que fez de mim “escritora” – ainda tenho dificuldade de escrever escritora sem aspas para me definir – e que me trouxe leitores. Pensando bem, é estranho escrever leitores sem aspas também... Mas pessoas liam o que eu escreviam até mesmo do outro lado do Atlântico.

Da velha máquina de escrever ao velho continente, foram diferentes as influências e os estímulos. A família que valorizava o exercício da criatividade, o namorado que queria ser e se tornou escritor, a faculdade de jornalismo que mostrou que, afinal, escrever matérias era diferente daquele escrever que eu ansiava... Mas talvez o mais determinante tenha sido a professora que, na sétima série, fez de mim leitora e escr…

Ação

Um pensamento. Uma palavra. Um gesto. Movimento. Um passo para o lado, ou meio, ou, melhor, para frente. Uma respiração. Respira consciente. Inspiração, expiração. Respira, começa, continua. Inspira que inspira.

Pode ser sem intenção. Talvez até sem muita vontade, mas continua. Inspira a inspiração. Presta atenção. Atenção faz virar ação. Ação. Pequena ou incompleta, ação e reação. Reage! Reagir é agir. Age! Se inspira.

Respira. Movimento, intenção, vontade. Inspira. Pensamento, palavra, gesto. Inspiração e respiração e inspiração... Movimento. Sente. Consciente, continua. Um passo. Outro. Um lado. Outro. Em frente, na frente, re-ação. Ação!

O que virá

Vontades, desejos, anseios. Você quer, mas quebra tanto a cara, entende tanto errado – ou  simplesmente não entende – que já desconfia da possibilidade. Só uma possibilidade e você vira receio, desconfiança, medo mesmo.

Não pode ser... Estranho... Tem alguma coisa aí... Sim, pode ter. Mas já pensou que pode ser bom? Estranhamente boa esta alguma coisa que ainda não é, mas pode vir a ser. Pode vir, mas para vir a ser precisa ser deixada vir.

Vai, deixa vir! O que vem não pode ser bom? Por que não? Porque sim, pode sim, mas você receia, desconfia, amedronta. Pensa em desistir. Como se nem tentou? Pensa em fugir. Do que, se nem começou? Pensa, pensa, pensa... Mas tenta?

E se tentar? E se arriscar? E se a possibilidade virar a realidade da vontade, do desejo e do anseio? E se você, ao menos desta vez, não pensar no se. Ou que pense no se, mas no se joga, no se arrisca, no se permite.

Respira e deixa vir. Com receio? Com desconfiança? Com medo? Que seja, mas deixa vir. Virá!

Hoje, chuva

Chuva não combina com sexta-feira. Penso isso hoje, que é sexta-feira e chove. Chove e a chuva traz preguiça. Desânimo. Preguiça e desânimo me acompanham hoje, que chove. Porque chove. Eu penso que chuva não combina com sexta-feira. Talvez eu pensasse que chuva não combina com quarta-feira se hoje fosse quarta-feira e chovesse. Talvez eu pensasse que chuva não combinava com ontem se tivesse chovido ontem tendo sido ontem o dia que foi. Ontem foi quinta-feira, não choveu. Hoje chove e eu penso que chuva não combina com sexta-feira. Não combina... Chuva não combina comigo. Chuva me descombina e, descombinada de mim, eu e o dia, seja ele o dia que for, preguiçosamente desanimamos. Hoje, desânimo. Sexta-feira, chove.

Mãe

Três letras, vivências, momentos, histórias. História. Minha história. Três letras, sentimentos. Tantos sentimentos... Todos intensos e fortes. Fortificantes. Letras, vivências, momentos, histórias, sentimentos... Tudo, absolutamente tudo, essencial e fundamental. Amo você, MÃE!

Cheiro de jasmim

Há dias que trazem e deixam desânimo. Desânimos, melhor usar o plural, por coisas pequenas e outras nem tanto, outras nem um pouco pequenas. Bobagens e seriedades juntadas por um dia em que, ao fim, traz a vontade de parar, sentar no chão, no chão da rua que seja, e se deixar chorar.

Mas é preciso seguir. Com os olhos marejados, com a garganta apertada que seja, e é, é preciso seguir. E você segue. Pela noite e sob a chuva, você segue, simplesmente segue. Passos pouco firmes pelas calçadas molhadas, pensamentos escorregadios embaixo do guarda-chuva.

Você segue e atravessa uma rua e outra e... Mas ao colocar o pé em uma calçada molhada após atravessa uma rua, mais uma, você sente. Em uma esquina que pode ser, e é, uma esquina qualquer, você sente, trazido pelo vento e pela noite, um cheiro de jasmim. Cheiro de jasmim!

Em um dia que deixou desânimos, você segue de volta para casa, mas ao passar por uma esquina, sente um cheiro de jasmim e sorri. Você sorri.