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Mostrando postagens de Julho, 2017

Em um domingo lindo, fim

O domingo era lindo
Bom dia, ela escreveu
Ele não respondeu. Ele não leu
Ele não acordou?
Passou. A hora passou
As horas passaram
Uma flor e depois...
Boa tarde, ele escreveu
A tarde não é, necessariamente, tarde
Não era?
Ainda era domingo e ele, o domingo, seguia lindo
Logo já era noite quase dia
Ela pensou
Talvez o dia já fosse tarde
Além da tarde, além da noite quase dia
O domingo havia sido lindo
Mas já não eram mais lindos os dois, como dois
Já era quase segunda-feira
Seria linda a segunda?
Segunda...
Talvez não houvesse segunda
Não feira, mas chance
Ela sentiu pena
Da não segunda-feira
Do domingo
Da flor
Sentiu pena das flores
Perdidas no fim
Fim de um domingo lindo
Fim de uma história
Que poderia ter sido linda
Não foi
Em um domingo lindo
Fim

Um dia meu

Um dia. Resolvi dar um dia de presente para mim.

Um dia de creme no cabelo e café moído na hora. Um dia para esquecer o jornal em um canto e pegar um livro ao acaso.

Um dia de máscara no rosto e um chocolate. Outro chocolate.

Um dia para uma taça de vinho e outra. E outra...

Um dia sem telefone e sem internet. Celular e televisão desligados. Música sim.

Um dia de música e, por que não, de dança.

Um dia de ler um conto e escrever uma poesia.

Um dia de esfoliante no corpo e pizza no prato.

Um dia, qualquer dia, meu.

Um dia para passar sem eu esperar que isso seja rápido ou devagar, logo ou nunca.

Um dia para acontecer, que aconteceu. Sem eu esperar acontecer o que não iria mesmo acontecer.

Um dia, hoje, meu, para amanhã, outro dia, diferente, mas também meu.

Se joga

Quando as coisas não estiverem fáceis, quando o momento não for bom ou a situação favorável, se joga.

Se joga em um carnaval, mesmo que seja de um bloco improvisado em pleno mês de julho.

Se joga no mar, mesmo que a água esteja gelada e que as força das ondas dê um pouco de medo.

Se joga nos braços e nos abraços dos amigos, mesmo que eles não entendam muito bem o que está acontecendo.

Se joga em uma livraria, mesmo que a ajuda não esteja na autoajuda (não está), mas na literatura.

Quando parecer que nada vai dar certo, joga para fora e se joga para dentro. Se olha bem dentro e, então... Se joga de volta para a vida!

Intermitentes. As ideias, as palavras e eu

Elas estão ali, sei que estão. Sinto a companhia delas, mas, por algum motivo que desconheço, brincam de se esconder e se revelar para mim. Intermitentes. Aparecem para depois parecer desaparecer. Mas não desaparecem, estão ali, eu sei. Mesmo que não saiba exatamente onde, eu sei, estão sempre ali. Mesmo quando parecem terem desistido de mim, mesmo quando parecem querer me fazer desistir delas. Ideias e palavras. Escrita. Intermitente nas intermitências destas que me acompanham mesmo quando eu penso já não tê-las. Talvez elas que me tenham. Talvez seja eu que, por algum motivo que desconheço, pareça desaparecer, pareça querer fazer elas desistirem de mim. Mas não desistimos, nem eu, nem as ideias e nem as palavras. Estamos aqui, embora eu nunca saiba quando. Intermitentes. As ideias, as palavras e a escrita minha. Eu.

Pensar, sentir, escrever

Pensamentos e sentimentos se multiplicam, se esbarram, se completam e, ao mesmo tempo, se contradizem. Pensar e sentir, sentir e pensar. Até parecer que não vai mais aguentar. Aguenta e  pensa, mesmo que não seja positivo o pensamento. Aguenta e sente, mesmo que seja medo o sentimento. E pensa de novo e mais e sente de novo e mais. Mais, muito mais pensamentos e sentimentos que sobram, que se multiplicam, que se esbarram, que se completam e se contradizem. Dizem e desdizem. Se repetem. Transbordam. Respira. Pensa e sente. Escreve.