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Mostrando postagens de Agosto, 2017

Você?

Eu gosto da minha companhia. Sou boa companhia. Sim, eu sou. Mas há tantos momentos em que sinto falta de alguém mais que eu comigo. Comigo, alguém. Eu e alguém que, sinceramente, não sei se é você. Tantas vezes quero que seja... Tantas vezes acho, achei, que seria, que poderia ser.

Não foi e eu não sei se é por você que eu que lamento. Mais uma vez, uma vez mais, de novo vejo uma história acabar antes de começar. Eu lamento seguir sendo eu, só eu, a minha companhia. Eu sou boa companhia e talvez por isso eu queria divida-la com alguém. Você? Não sei se você.

Não sei se é por você que eu me entristeço. Você... Tive tão pouca chance de conhecer você... Não sei se me entristeço pelo que você poderia ser, pelo que eu achei que você poderia ser. Poderia? Seria? É? Não sei. Talvez pudesse ser, talvez não fosse. Talvez viesse a ser, talvez nunca pudesse ser.

De novo, mais uma vez, uma vez mais eu não vou saber. Como seria? Seria, foi, carência ou paixão. Foi você ou sou eu. Eu... Eu sou boa…

Vento

O dia começou pesado, abafado. Branco de nuvens, cinza de incertezas, carregado de insatisfações e prestes a desaguar em lágrimas. O trabalho, o cabelo, o relacionamento findo antes do início, aqueles quadros na parede. Três quadros, três capítulos de um livro de contos lidos e um interrompido quando decidi arrancar os quadros. Ao menos os quadros.

Arranquei e com eles vieram pedaços de parede, da tinha de agora, da tinta de antes e ate da de antes de antes. Camadas de parede que vieram junto com o vento. Um vento sem camadas e sem cerimônia. Forte, intenso, barulhento... Perturbador. Espalhando nuvens e incertezas, assoprando alto incertezas e insatisfações.

Na parede, os buracos, no celular uma foto. Enviei e fui fazer um bolo de chocolate. Ao som d vento, a resposta não veio, mas o bolo ficou pronto. Belo e gostoso. Doce. Algo doce em meio a ventania e aos buracos que os quadros arrancados deixaram na parede. Cobri os maiores com um colorido filtro dos sonhos.

Os sonhos, o bolo, o …

Cadernetas

Nunca consegui dar continuidade a um diário bem agendas nunca funcionaram comigo. Mas tenho sempre uma caderneta que levo na bolsa.

Nela anoto números de contas de banco, datas de consultas médicas, dicas de restaurantes em outros países, telefones de gente que... Quem é mesmo esta pessoa?

Anoto também palavras e frases soltas, ideias para textos e até textos inteiros. Há compromisso e reflexão, oração e desabafo, histórias que vivo e que invento.

Mas há, também, um limite de páginas e quando elas chegam ao fim percorro todas as que ficaram para trás para saber o que deve seguir comigo na próxima caderneta.

Embarco, então, em uma viagem, sem roteiro programação ou datas, pelas histórias minhas dos últimos meses, anos até.

Me leio e me releio, me vejo e me revejo. Me reconheço, me desconheço, me surpreendo. E fico, sempre, com vontade de me inventar de novo. Mais.

Passando, no gerúndio

Um dia você acorda e não tem vontade de conferir as mensagens do celular. Não há mensagens novas, você sabe. Se não há notificações, não há mensagens. Mas quantos tantos dias você não teve vontade de ver, conferir, confirmar e sofrer?

Hoje, hoje até que há uma notificação de uma mensagem de ontem que você não leu porque deveria ter sido enviada antes de ontem e não foi. Ela está lá, uma carinha que não diz nada, não responde nada, não indica nada. Uma carinha que talvez seja sorriso, talvez seja beijo, mas que não é intenção. Tampouco vontade.

Passou. Será que passou? Ou movimenta-se no gerúndio do que ainda está passando. Passando... Passando, no gerúndio que seja, parece que está. Um dia você acorda e se dá conta de que quase não se importa mais. Ainda é quase, mas já é não importar mais.

O celular desperta, o dia começa e a mensagem, justamente hoje que há notificação de uma mensagem, fica lá. Percebida, ainda não perdida, mas para se perder. Como se perdeu tudo que você achou que …

Dúvidas de um momento

Depois de repetidamente se machucar, a dor é mais forte ou mais fraca?
Água mole em pedra dura tanto bate até que cura ou até que seca a fonte?
As entrelinhas falam ou calam? Há óculos para poder lê-las?
O silêncio esconde ou revela? O quê?
O que é mais frustrante, desistir ou insistir?
Onde fica o limite, antes ou depois da última possibilidade?
Qual é a última possibilidade? Qual a última palavra?
Qual a última ação, a destruição?
Há fim em ir até o fim?
Onde fica o fim?
O que vem depois do fim?