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Passando, no gerúndio

Um dia você acorda e não tem vontade de conferir as mensagens do celular. Não há mensagens novas, você sabe. Se não há notificações, não há mensagens. Mas quantos tantos dias você não teve vontade de ver, conferir, confirmar e sofrer?

Hoje, hoje até que há uma notificação de uma mensagem de ontem que você não leu porque deveria ter sido enviada antes de ontem e não foi. Ela está lá, uma carinha que não diz nada, não responde nada, não indica nada. Uma carinha que talvez seja sorriso, talvez seja beijo, mas que não é intenção. Tampouco vontade.

Passou. Será que passou? Ou movimenta-se no gerúndio do que ainda está passando. Passando... Passando, no gerúndio que seja, parece que está. Um dia você acorda e se dá conta de que quase não se importa mais. Ainda é quase, mas já é não importar mais.

O celular desperta, o dia começa e a mensagem, justamente hoje que há notificação de uma mensagem, fica lá. Percebida, ainda não perdida, mas para se perder. Como se perdeu tudo que você achou que poderia ser.

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