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Mostrando postagens de Janeiro, 2018

Nós. Pensei

A carta do tarô disse para não exigir dos outros o que não consigo fazer.
Pensei logo em coerência e clareza de sentimentos, em coragem.
Pensei logo em você.
Em mim.
Em nós.
Pensei que somos os dois confusos, reticentes, medrosos.
Como somos...
Somos estranhamente e imperfeitamente parecidos.
Aí, como não pensar que, afinal, combinamos.
Nós dois juntos, ah, nós dois juntos...
Pensei que o tarô poderia ter me dito que no final nós dois estaríamos juntos.
Estranhamente e imperfeitamente combinados nesta confusão que é relacionar-se.
Relacionarmos.
Nós.
Será que não podemos nós dizer ao tarô?
Pensei.

O tempo de germinar. Ou não...

Não sou jardineira profissional. Nem amadora com vastos conhecimentos sou. Sou curiosa, gosto de mexer na terra e descobri, há pouco, que isso me acalma, me serena, me faz bem e, sinceramente, acho que algum jeito para isso eu tenho. Sem conhecimento, por instinto e com muitas tentativas, mas, talvez, porque faço com o amor.

E tal qual no amor, às vezes dá certo, às vezes não dá. As sementes de romã que plantei há um ano, por exemplo, germinaram, cresceram e hoje têm mais de um metro. Mas já teve semente que veio em um vaso decorativo e que, teoricamente, seria fácil para todo mundo plantar, que simplesmente não nasceram.

Acho que não é só comigo, jardineira bem intencionada, mas sem muitos conhecimentos. Acho que mesmo com os jardineiros profissionais, mesmo com carinho e cuidado, mesmo com adubo e luz, nem sempre brota, nem sempre desenvolve, nem sempre cresce. É a natureza. É a vida também quando diz respeito a nós, bicho gente.

Mas como saber quais as sementes, de plantas e de sen…

Se quisesse

Nem tentar você quis...

Quisesse, eu ficaria diante do espelho (ou como espelho) com você para nos descobrirmos e nos reconhecermos especiais.

Quisesse, eu mergulharia com você até que a série de ondas ruins passasse. Até que o coração serenasse e os sentimentos clareassem. Até o sol depois da chuva.

Quisesse, poderia ter tido depois. Teria depois. Ou não. Mas, quisesse, nós poderíamos tentar.

Mas... Nem tentar.

Uma mulher e fim

Como outra qualquer, era uma mulher só como ela, única. Uma mulher que talvez ele, a considerando tão especial, julgasse der demais, ser mais, estar além do que ele julgava ser capaz de ter, de ser. Que era mais, que estava além, que se aproximava dela, mas não percebia.

Ela, aquela mulher que adoraria estar com alguém como ele. Alguém que pudesse olhar nos olhos, compartilhar, dividir e trocar experiências, vivências, conhecimentos e sentimentos. Alguém para estar em um mesmo plano, para olhar e se ver de um mesmo lugar, em mesmo nível.

Era uma mulher com uma profissão, com bagagem de vida que incluía experiências, livros, ganhos, viagens, perdas... Uma mulher que pagava suas contas. Que, mesmo que não conseguisse pagar um aluguel para viver sozinha, era uma mulher independente. Livre.

Uma mulher que se não está confortável, pede um táxi, pega uma carona, corre no meio da noite se preciso for e vai embora. Uma mulher que não fica por necessidade ou convenção, mas apenas por vontade. …

Cinza

Cinza. A cor do dia é também a minha. Lá fora, uma chuva ora mais fraca, ora mais intensa. Aqui dentro, desânimo. Uma xícara de café, uma olhada nas redes sociais. Duas. Uma olhada pela janela. Lá fora, na chuva, no branco e no cinza do céu, do dia e de mim, pássaros. Um, depois outro, mais outro, mais. Vários, muitos. Pássaros. Voando. Passando. Indo. Seguindo. Se movimentando. Movimento. Voo. Voar... Eu. Mesmo metaforicamente, o movimento dos pássaros pode ser o meu. Mesmo que hoje eu esteja como o dia. Cinza.

O novo é preciso ser feito novo

Decisões muitas vezes a gente toma de uma hora para a outra. Há, claro aquelas que precisam ser pensadas, planejadas e organizadas. Mas quando se trata de mudar hábitos, em geral, é no repente. Pelo menos comigo é assim. Ou só tem efeito e é efetivo é assim.

Foi assim quando, há não sei quantos muitos anos, decidi começar a pedalar. Foi assim quando, há alguns meses, decidi me alimentar melhor. Quando decidi criar um blog – mesmo que a produção e a publicação tenham, ao longo dos anos, sido intermitentes.

Mesmo algumas decisões mais sérias, como pedir demissão, já tomei assim, de repente. Claro que todas elas são consequência de acontecimento, pensamentos e reflexões anteriores. Mas são tomadas ali, naquele momento que não importa se é de uma segunda-feira, do mês que vem, de depois (ou de antes) das férias.

Pode, isso constatei agora, até coincidir ou, como prefiro dizer, sincronizar com estes momentos. Exemplo fresco e motivo deste texto: o novíssimo ano de 2018. Sempre tive muita i…

A benção da Rainha

Em geral eu prefiro conversar com você de forma mais reservada. Por isso, estava esperando que o ano começasse e que este começo passasse um pouco para ir ter com você. Mas o dia primeiro do ano amanheceu esplendoroso. O céu de um azul que contradizia com vontade todos os meteorologistas. O mar... Ah, o mar...

As imagens traziam a incrível mistura de azul e verde até mim. Aí, foi como se você me chamasse. E me chamasse de novo, até que de supetão, no meio da tarde quente, coloquei o biquíni e fui. Nem dinheiro, só depois eu me daria conta, levei. A praia, por praia entenda tanto a areia quanto o mar, estava lotada.

Talvez a conversa não fosse tão reservada assim, mas não havia dia melhor para ela. Não só por ser o dia primeiro do ano, não só por ser um dia lindíssimo, não só pelo mar calmo. Por tudo isso, por mais e, principalmente, porque, eu ouvi você me chamar. Fui. Entrei sorrindo no mar. Passei pelas pessoas e aos poucos foi como se elas não estivessem mais ali. Silêncio e cor ap…